Uso de antibióticos contra quadros alérgicos pode piorar o problema

mostrou que o uso de antibióticos em casos alérgicos pode propiciar o aparecimento de outras intolerâncias nos pacientes ou até agravar os sintomas de uma crise. Foto: Reprodução/ Estado de Minas
mostrou que o uso de antibióticos em casos alérgicos pode propiciar o aparecimento de outras intolerâncias nos pacientes ou até agravar os sintomas de uma crise. Foto: Reprodução/ Estado de Minas

A alergia, causada por diferentes fatores, atinge 35% da população do planeta, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, dependendo da estação do ano, das condições climáticas e da presença de agentes causadores dos processos alérgicos (insetos, poluição, agentes químicos), o índice pode ser ainda maior, de acordo com estudo da cientista indiana Shilpa Shah, conselheira científica do projeto social Brasil sem Alergia, que tem como objetivo a prevenção de doenças de fundo alérgico e o treinamento de médicos em municípios do interior do País.

O tratamento inadequado ou sem acompanhamento médico pode agravar a situação do paciente e levá-lo a um quadro infeccioso grave. De acordo com o professor de doenças infecciosas parasitárias da Faculdade de Ciências Médicas e do Ambulatório de Infectologia do Hospital Militar de Minas Gerais Luiz Wellington Pinto, para tratar processos alérgicos normalmente é feito primeiramente um diagnóstico do que está levando o indivíduo a se tornar alérgico.

“É uma patologia muito comum e que em alguns casos leva a manifestações clínicas importantes, como a rinite alérgica, um corrimento nasal causado por poeira, tinta fresca, entre outros fatores”. Nesses casos o tratamento mais indicado é feito com medicação especificamente para diminuir a secreção nasal usando constritores nasais ou antialérgicos.

Um estudo publicado no Global Journal of Medicine and Public Health, desenvolvido no Mumbai City Hospital, na Índia, mostrou que o uso de antibióticos em casos alérgicos pode propiciar o aparecimento de outras intolerâncias nos pacientes ou até agravar os sintomas de uma crise. “Os antibióticos podem sensibilizar o sistema imunológico das pessoas, o que as torna bem mais suscetíveis ao surgimento de quadros de alergias”, afirma a cientista Shilpa Shah, principal autora da pesquisa.

O estudo foi desenvolvido durante dois anos com 200 pacientes divididos em dois grupos: um grupo com 126 pacientes, que fez uso de medicamento antibiótico e o outro formado por 74 pessoas, não submetidas ao remédio. “A pesquisa identificou um crescimento dos níveis de IgE, em exame que determina a presença de algum tipo de alergia, entre os pacientes do “grupo de antibióticos” em relação aos 74 do grupo ‘não antibióticos’”, explica Shilpa.

A resposta alérgica é individualizada, e cada país tem suas particularidades, explica o médico Marcello Bossois, coordenador técnico do projeto social Brasil sem Alergia. As variações de temperatura aumentam essa incidência: “Na Sibéria, por exemplo ou no Norte do Canadá, onde a temperatura é sempre baixa, há menor ocorrência de doenças respiratórias. Já no Brasil, principalmente nas regiões Sudeste e Sul, onde há grande variação entre temperaturas baixa e alta, a situação é péssima para quem tem tendência a problemas respiratórios”.

CONTROLE NÃO É SIMPLES 

Bossois explica que a orientação para o tratamento dos quadros de alergia não é simples, consistindo num tripé terapêutico baseado no controle alimentar, controle de ambiente e uso de imunoterapia, com vacinas ou medicamentos. Mas reconhece que não é raro o uso de antibióticos prescritos em casos específicos, sobretudo em momentos de crises alérgicas. Bossois reconhece que alguns fatores justificam o uso de antibiótico por quem sofre os incômodos da alergia: “Como a mucosa do alérgico está sempre inflamada e é rica em proteínas carregadoras – denominadas I-cam e V-cam, levando micro-organismo do paciente), frequentemente ele está doente e com problema respiratório, o que leva ao uso de antibióticos para tratar as consequências da alergia”.

Há outros fatores que implicam no uso de antibiótico: o alérgico produz muco em excesso, sendo fonte de cultura e proliferação de bactérias, gerando infecções respiratórias bacterianas (alguns tipos de pneumonia, faringite, sinusite, entre outras). Outro ponto é o desequilíbrio do sistema imunológico do alérgico, que faz com que ele enfrente diferentes episódios de problemas com a imunidade, encontrando, segundo Bossoi, uma aparente solução através dos antibióticos.

O médico sugere que seja prescrito o uso do medicamento em determinados casos mais graves, mas adverte que isso jamais ocorra sem um acompanhamento clínico criterioso: “Se por um lado o antibiótico tem um papel imprescindível para retirar pacientes de crises, por outro ele poderá agravar alguns sintomas da alergia, gerando uma reincidência do problema”. A reação alérgica a antibiótico não tem prevenção, segundo o infectologista Luiz Wellington Pinto e a reação aparece assim que o paciente entra em contato com a droga. Por essa razão, ele sugere que o paciente porte um cartão indicando quais os medicamentos e substâncias aos quais é alérgico.

INFORMAÇÃO

Coordenado pelo médico Marcello Bossois, o Brasil sem Alergia é um projeto social que oferece gratuitamente a realização de diversos procedimentos de combate, controle e prevenção dos mais variados tipos de processos alérgicos e doenças ligadas ao sistema imunológico. Além do acompanhamento médico, a ação social oferece testes alérgicos gratuitos, além de imunoterapia com baixo custo. Criado em 2007, já atendeu mais de 60 mil pessoas em seus postos, no estado do Rio de Janeiro.

Fonte: Estado de Minas, por Elian Guimarães

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