Chlamydia: Uma doença silenciosa que causa infertilidade em homens e mulheres

CIÊNCIAEMPAUTA, POR MIRINÉIA NASCIMENTO

Uma das consequências da doença é a infertilidade em homens e mulheres. Foto: Reprodução
Uma das consequências da doença é a infertilidade em homens e mulheres. Foto: Reprodução

Você já ouviu falar em uma doença chamada Chlamydia? A falta de dados na literatura brasileira sobre esse mal, principalmente no Amazonas e na região Norte, motivou a pesquisadora Norma Suely de Lima Freitas a realizar dois estudos. O primeiro, iniciado em 2004 e defendido em 2007, foi a dissertação de mestrado “Detecção de Chlamydia trachomatis pela Técnica de Reação em Cadeia de Polimerase (PCR) em Mulheres Atendidas na Clínica de Infertilidade do Hospital Francisca Mendes, Manaus-Amazonas”, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). Já o segundo, foi a tese de doutorado “Análise das Sequências do Gene ompA de Chlamydia trachomatis Isoladas do Trato Genital de Mulheres Inférteis e Gestantes em Manaus-Amazonas”, realizada no período de 2008 a 2012 e defendida em agosto do mesmo ano, financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Segundo a pesquisadora, 52,8% das 106 mulheres do grupo de infertilidade estavam infectadas pela bactéria Chlamydia. “A população em geral desconhece essa doença e a maioria dos médicos não solicita o exame para detectá-la. Quando as mulheres vão procurar tratamento para a infertilidade é que descobrem que por causa da doença não podem engravidar”, explicou.

Chlamydia trachomatis é uma bactéria sexualmente transmissível, de grande impacto no sistema reprodutivo das mulheres, sendo também um importante problema para a saúde pública.  A estimativa dos casos de infecção é de 90 milhões  de mulheres em todo o mundo, sendo considerada a bactéria sexualmente transmissível de maior prevalência principalmente em países desenvolvidos. O diagnóstico é crítico devido à freqüência de infecções sem sintomas.

Em mulheres, a infecção pela Chlamydia causa doença inflamatória pélvica (DIP) e as suas conseqüências podem ser a infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica. Nos homens, a bactéria entra no aparelho genital causando uma inflamação que impede a passagem do espermatozoide no canal deferente (canal muscular que conduz os espermatozoides do local onde eles são armazenados), ocasionando a infertilidade masculina.

 

Norma Suely de Lima Freitas é farmaceutica bioquímica há 8 anos e desde 2004 vem trabalhando na área de diagnóstico molecular. Foto:Mirinéia Nascimento

Norma Suely de Lima Freitas é farmacêutica bioquímica há 8 anos e desde 2004 vem trabalhando na área de diagnóstico molecular. Foto:Mirinéia Nascimento

EXAME PARA DIAGNÓSTICO DA DOENÇA 

O estudo aponta uma alta positividade de Chlamydia e a importância de se fazer um trabalho de rastreamento da bactéria, que além de causar a infertilidade pode ocasionar outros tipos de doenças. Norma Suely explicou que para obter o diagnóstico é preciso uma pequena quantidade de amostra que pode ser coletada durante o exame médico ginecológico. “Seria importante tanto na saúde pública quanto na particular que os médicos passassem a pedir esse exame para que se evitasse chegar nesse estágio avançado”, enfatizou a pesquisadora.

De acordo com ela, os laboratórios teriam que ter um aparelho chamado “termociclador”, equipamento necessário para o diagnóstico da doença. “Aqui em Manaus não tem nenhuma clínica que possua esse aparelho, nem na rede pública nem particular”, disse. Diante dessa realidade, o estudo destaca a importância de se colocar à disposição da população esse equipamento e a incorporação desse exame na solicitação médica durante o preventivo.

 

SAIBA UM POUCO MAIS SOBRE A DOENÇA

  • De acordo com estatísticas, aproximadamente 70% das mulheres e 40% dos homens não sabem que estão infectados pela bactéria devido a ausência dos sintomas.

  • Normalmente, os sintomas apresentam-se na forma de corrimento esbranquiçado, sangramento no colo do útero, dor durante a relação sexual e ao urinar.

  • Nos homens, o diagnóstico pode ser feito por meio de exame de urina.

  • O tratamento é feito com antibióticos que podem ser tomados em dose única ou durante uma semana.

  • A melhor forma de prevenção da doença é pelo uso de preservativos e recomenda-se fazer uma investigação rotineira em mulheres sexualmente ativas.

     

CIÊNCIAemPAUTA, por Mirinéia Nascimento

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